
Um poema feito em parceria com meu amigo e poeta Lucas Matos, visitem seu blog (ao lado) e confiram a qualidade dos seus versos.
Gota
Não há terra sob este beiral,
não há sementes para o plantio.
Do animal, ficou o esqueleto,
da estrada, sobrou o pó.
Da fenda o leito observa,
seco rio, dura estrada
arada a terra se partiu
e de uma semente fez-se o plantio.
Há algo entre o fosso e o poço
e não é o frio de uma senzala
nem o odor do fio da navalha:
é um ponto verde insurgente.
E deste único ponto
o solo se faz úmido;
fertilizado, ainda há esperança:
pode do broto surgir o matagal.
Afinal,
toda árvore um dia foi o sonho duma semente.
Fabrício de Queiroz Venâncio & Lucas Matos