Quando já não consigo escutar o som através da parede, recordo com remorso.
O delir
Joga de volta estas flores que te dei:
vindas de tua mão se desmanchará,
terá seu sumo extraído
e chegará a mim como perfume.
Devolve aquele colar vindo do mar,
pois é o seu artesão capaz de engoli-lo,
para se desmanchar novamente em areia
e fazer cemitério de novos corais.
Daquele bombom e daquele transpiro de sexo,
faz um emplasto em molde de concha
e torna a ver o milagre da fruta,
adocicando o desejo de outros.
Tuas lágrimas deixa cair que eu recolho:
guardarei num pote âmbar
para eternizar essa penitência salina
e louvá-las em arrependimento,
mas posso também derreá-las no deserto,
para vê-lo então verde e florido:
semearia no vertigo estas flores
e lhe faria brilhar nova coroa.
_Fabrício de Queiroz Venâncio