
A velhice é muito bonita. Para os velhos parece que o tempo passa diferente, ficando essa sensação impressa no modo calmo como se movem, como falam e se organizam dentro do seu tempo.
Pode ser também que já estejam no aguardo da morte, praticando serenamente a única coisa que lhes resta: as lembranças e os amigos.
Pode ser também que já estejam no aguardo da morte, praticando serenamente a única coisa que lhes resta: as lembranças e os amigos.
O rosto (ou a Balada sem ritmo algum)
A poeira dos carros encharca as
rugas virgens do rosto,
um olhar lânguido de miopia e carne
atenta na paisagem a sua morte.
Tudo lhe parece sinônimo de si:
a palha seca, a sopa podre
e a gia suada emborcada.
Na cidade o povo canta,
os carros passam e ninguém sorri;
numa ausência que se mistura à poeira
que levanta e mela o rosto.
Tudo já lhe é passado:
os jovens, os velhos
e este calafrio que arrepia a nuca.
_Fabrício de Queiroz Venâncio