
Ponto de vista. Pensando agora, enquanto escrevo, acredito que essa seria a expressão mais importante do mundo. Com ele sendo respeitado, não teríamos preconceitos, embates científicos que fossem infrutíferos, brigas a toa por falta de respeito.
"O seu direito termina quando o do outro começa". Uma clássica frase da convivência nos ensina muito a respeito do egoísmo. Para que serve a consciência senão para medir o nosso egoísmo? Somos podres e corrompemos tudo com o que temos contato. Elementos classicamente neutros e ideais, como a ciência e a burocracia, são deturpados e eu, como estudante de uma ciência, sou forçado a ouvir a ignorância dizer a culpa é do que eu estudo.
Nosso mundo é uma grande ferramenta e estamos usando-a para alfiner-mos e alfineta-lo.
Abraços a quem passa por aqui. Peço desculpas por esse texto.
Destinos de areia (clichês da Razão)
Era uma tarde noite de Abril,
junto aos pêsames duma memória de areia.
Primeiro, como em toda história,
refiz os fatos, montei os sintomas
(duma doença).
Pensei em como começar a narrativa
desse vítreo dia algoz.
Mas a quem dói as palavras,
senão ao narrador afoito,
que espalha sua vísceras,
desdenha dos seus medos,
somente para satisfazer este vil Ser,
que é o leitor curioso.
Segundo, após o cálculo das probabilidades,
das ondas de densidade
(horror).
Procuro um perfume de canto,
Algum aroma perdido pela cidade.
Tanto lucubro, apago, refaço,
que a insensatez se afasta,
mediante a idéia do princípio:
"Era uma vez".
Terceiro, enfim um triângulo.
Se me perguntassem, responderia
(com vazia sinceridade):
todo aflito esquece das mãos,
acabando por não terminar ao que,
com tanta servidão,
lhe serviu.
Até gostaria que fosse escaleno,
não eqüilátero.
E páginas púrpuras,
linhas iguais.
Quarto, porque não gosto de clichês,
contra a mesmice das trilogias
(Horizonte).
Este é o ponto onde a mente abre,
as lascas de pedra fazem o azevinho
e reconto uma história, apago a antiga.
Mesmo na certeza de que em breve,
cabisbaixo, choramingando,
caminharei de outra forma;
destruirei este então novo caminho.
Quinto, o Pentateuco Sagrado,
ou as cinco pontas de um Pentagrama
(Símbolo).
O mar a frente e o diabo atrás,
os ponteiros do relógio derretendo,
tentando lidar com uma idéia;
pois sendo o leitor meu capataz,
meu ouvinte ilustre,
contar-lhe-ei a sua história
em dois simples versos.
Todo fim é o propósito da morte,
como o início advém do desejo.
_Fabrício de Queiroz Venâncio