sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Descrédito

Sem título - Tetsuya Ishida


As vezes me pergunto se já não estamos vivendo a barbárie.



Descrédito

Desacreditei de tudo,
dos sonhos
dos anos
das conquistas.
Enfim, desacreditei da vida,

das coisas simples
dos abraços
dos sorrisos,
desacreditei até da esperança,

que recebe meu corpo
de braços abertos,
desacreditado na mansidão.

Desacreditei do salário,
da família
da rotina
e - há muito - do capitalismo.

Desacreditei de mim,
dos passos adiante
das siglas
da democracia
do sim
do não
do talvez
e sobretudo das certezas.

Desacreditei dos hinos,
do nacionalismo
do mundialismo
dos votos
e da eleição.

Desacreditei das verdades,
dos conceitos
dos anseios
do Redentor
e da salvação.

Desacreditei das horas vagas,
dos bares
dos amigos
das curas
do companheirismo.

E de tanto desacreditar
estive a beira do suicídio,
mas desacreditei da morte,
do Paraíso.

(Fabrício de Queiroz)

1 Comentários:

Lucas Matos disse...

desacreditei de mim mesmo, do passado, dos dias e noites ruins, mas acredito em você!
Quase tudo eu esse poema!

Forte abraço.

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